Título:
Proteger o credor é proteger a sociedade
Data:
30/08/2009
Hora:
07:44:28
Fonte:
Jornal do Commercio de 30.08.09
Caros alunos, sempre condeno esse paternalismo da lei em prol do devedor, talvez pela nossa origem latina-católica de considerar o lucro e a riqueza pecados. A solução é um rigor maior da lei e do juiz na defesa do crédito. Vejam matéria abaixo do Jornal do Commercio de hoje. Bom Domingo a todos: Risco de calote encarece tudo Publicado em 30.08.2009 Países, empresas, escolas, condomínios. Todos embutem em seus custos a possibilidade de não receber em dia. Quem sofre? Quem paga em dia Felipe Lima flima@jc.com.br Calote, inadimplência, default. Não importa a palavra - se a de uso popular ou a empregada em estudos econômicos - os reflexos negativos são os mesmos. Do condomínio de um edifício ou da mensalidade de uma escola particular aos juros praticados no Brasil e até a crise mundial. Quem honra seus compromissos em dia é penalizado pelos que não o fazem. Terminam pagando uma ingrata fatura, salgada não apenas em valores, mas em impactos estruturais. O condomínio fica mais caro, a escola não concede mais descontos e não pode realizar investimentos para melhorar o serviço prestado aos alunos, o spread bancário dispara, o comércio oferece prazos menores e juros mais altos, e o mundo entra em colapso financeiro. Banco eleva o juro. Condomínio, a taxa Publicado em 30.08.2009 Consumidor paga mais caro de todo jeito. Sistema financeiro argumenta que sua solidez depende dos cuidados que toma para evitar o calote. Condomínios cobram mais para afastar desequilíbrio Condomínio e mensalidades de colégios formam apenas a base da pirâmide de segmentos econômicos cujos custos são elevados pela inadimplência. O sempre criticado spread bancário (diferença entre o valor de captação do dinheiro e o que o banco cobra do cliente) é, em grande parte, resultado do calote. Dados do Banco Central mostram que 37,35% da composição do spread é formado pelo medo das instituições em não receber os débitos de seus correntistas. E a partir de um spread alto, praticamente todas as operações financeiras realizadas no País (parcelamentos no comércio, crédito a pessoas físicas e jurídicas, etc.) são encarecidas. “O banco tem a responsabilidade de se resguardar do calote. Se não, qual seria o investidor que iria ter coragem de aplicar nele? Um banco sem garantias não é confiável”, explica o assessor técnico da Federação Brasileira dos bancos (Febraban) Ademiro Vian. Sobra então para todos, em especial para quem é bom pagador, que se sente injustiçado por arcar com um problema que não é ele quem provoca. O consumidor médio deixa de encontrar condições de pagamento mais acessíveis para adquirir bens de maior valor agregado, pois as financeiras que atuam diretamente com as lojas não tem outra saída se não praticar taxas de juros também altas por não poderem absorver o peso do spread.