Advogado para quê?
Advocacia pode acabar em 100 anos, diz professor inglês.
Assim como a doença não existe para dar emprego aos médicos, a lei não
existe para dar emprego aos advogados. O autor desta premissa
instigante, lançada em 1996, faz agora uma pergunta não menos
intrigante: os advogados existirão daqui a 100 anos? Ele é Richard
Susskind, professor e consultor inglês em tecnologia da informação, que
fez da dúvida cruel o tema de um livro chamado The End of Lawyers? (O
Fim dos Advogados?). Segundo Susskind, a tecnologia e a mercantilização
da função tornarão os advogados cada vez menos necessários.
O especialista, que é professor de Direito do Gresham College, na
Inglaterra, e conselheiro de Tecnologia da Informação do Lord Chief
Justice (principal autoridade judicial do país), argumenta que a
profissão de advogado como a conhecemos hoje está ameaçada de extinção -
ou, pelo menos, "à beira de uma transformação fundamental".
A mudança se dá por dois fatores, segundo ele. O primeiro é a expansão
da tecnologia da informação, que permitirá a qualquer bom leitor
entender os meandros da lei. O segundo é a mercantilização da profissão,
que fará com que a preparação das peças jurídicas seja terceirizada para
mão de obra mais barata.
Com isto, os tradicionais postos de trabalho dos advogados serão
substancialmente diminuídos. Ele lembra que, da mesma forma que as
pessoas se sentem confortáveis hoje em uma agência bancária, se sentirão
à vontade em uma sala de tribunal.
por Daniel Roncaglia
|